BALADEENHA HT NA JAPIÚBA

"PUB-não-sei-o-que" é o pretencioso nome do muquifo. Ponto nobre da cidade, espaço enorme, lotado de gente pra uma madruga de quarta-feira - tipo umas 200 pessoas.

Ótimo score, não fosse na japiúba.

Logo na entrada, Denise e eu somos bombardeados com flyers por leões desdentados.

- Esse é o fryer de amanhã, entra de grátis!
- E toca o quê?
- Deixa ver... Ah, essas paradas aqui, ó!
- apontando para o flyer que traz uns manos com cara de pagodeiros escrito ELECTRO na frente.

Então táh!

Entramos, sentamos, vem a garçonete umpa-lumpa.

- Vai beber o quê?
- Não tem bloody mary?
- O que é isso?
- Esquece! O que você faz com vodka Absolut?
- Não sei, deixa eu ver...

Dez minutos depois ela volta.

- Olha, Absolut mesmo só a dose. Os drinks são todos com Smirnoff.
- Mas e se eu quiser algum desses drinks aqui, só q com Absolut ao invés de Smirnoff?
- Não pode.
- Então táh! Me vê uma piña colada.
- Ok, me empresta a comanda.
- Ninguëm entregou. Era pra ter?!
- Xii, é melhor vocês irem pedir lána frente, se não vão brigar comigo!

Então táh. Quinze minutos de constrangimentos Documentos pra cá e pra lá. A gerente desconfiando que era equê. Enfim liberaram a comanda e pudemos beber a primeira. Minha piña colada chegou com um espiral de chantilly em cima qe parecia um sundae. Como assim?!

Enquanto a banda ao vivo se esforçava num "I Can Get (no) Satisfaction" eu salivava desejando algum drink com alguma daquelas Absoluts - e eles tinham vários sabores, inclusive a Pepar. Apaixonado

Deu meia-noite e finalmente abriram a pista no subsolo tocando Information Society.

O quê?

Sim, em 2009. E não era remix!

Então táh!

Me vê uma dose de Pepar. Enquanto isso, os HT's chegando, e em meia a pista estava lotada com umas 200 pessoas... fazendo absolutamente nada!

Do Information eles pularam pra um eletro minimal que não tinha condições. Subimos pro bar. Depois pro mezanino. O lugar é enorme. Tudo vazio. Tudo sem som. "Não dava pra puxar uma extensãozinha da pista?" é a pergunta que não quer calar.

Na Japiúba, não. Mas dá pra, do fumódromo no mezanino o povo jogar bituca no telhado do vizinho. Um nojo!

Ultima tentativa na pista, que a 1 da manhã está lotada. De pessoas paradas. O som é tão ruim, que ninguém consegue dançar nada!

Quero ir embora! Denise faz cara de "quero dar meu bom koo", mas no fundo sabe que eu tenho razão.

Na fila do caixa, enquanto pagamos, uma longa fila se forma rapidamente atrás de nós.

Vamos às contas: 200 pessoas pagando R$ 30 reais numa quarta-feira representam R$ 80 mil num mês. Se o som e o atendimento estivessem um pouco melhor, esse ticket médio poderia facilmente aumentar pra R$ 50, e gerar R$ 200 mil brutos, ou R$ 160k/mês limpos. Me corrijam se eu estiver errado. Incompetência? Amadorismo?

Será tão difícil assim divertir 200 criaturas japiubaras numa aldeia de 600 mil habitantes?!

Como esse lugar é uó!

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